“O lockdown acontece quando a capacidade de resposta hospitalar acaba”, disse o médico e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Ivan França, que reforçou: “infelizmente, é provável que, em São Paulo, estejamos nos dirigindo para isso”

247 – Médicos epidemiologistas, virologistas e infectologistas avaliam que a cidade de São Paulo já dá sinais de necessidade de medidas mais drásticas de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus, informa a Folha de S. Paulo.

Segundo a reportagem, apesar de reconhecer a gravidade na capital paulista, “eles afirmam que faltam dados mais concretos sobre a real dimensão da pandemia e questionam se o endurecimento deve ser estendido igualmente e ao mesmo tempo a todo o estado, já que há cidades com poucos ou nenhum caso da doença”.

O médico e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP Ivan França disse que “o lockdown acontece quando a capacidade de resposta hospitalar acaba”. “Infelizmente, é provável que, em São Paulo, estejamos nos dirigindo para isso”, ressaltou.

Ele também disse que “provavelmente já existem muito mais casos e mortes que o governo não está conseguindo pegar. Não dá para acreditar nos dados. Estamos navegando no escuro”.

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No Brasil, 127 mil testes de coronavírus ainda esperam resposta

País não está preocupado em ampliar a subnotificação, porque para evitar falta de testes, está cobrando dos governos locais que realizem só em casos necessários

Jornal GGN – O Brasil amanheceu com 18.176 casos confirmados de coronavírus e 957 mortos. Entretanto, o próprio Ministério da Saúde reconheceu que há uma grande defasagem: 127 mil ainda esperam resultados de confirmação para o Covid-19.

E apesar da lista de espera dos exames mostrarem que a subnotificação é alta no país, a pasta não está preocupada em seguir ampliando este número. Isso porque pela restrita quantidade de testes hoje disponíveis no Brasil, o Ministério da Saúde está cobrando dos governos locais que só utilizem em casos necessários, para evitar escassez.

“Estamos distribuindo 320 mil testes. Temos 127 mil casos registrados no sistema para realizar a investigação, então, para essa semana e para a próxima temos uma folga. No entanto, é fundamental que este recurso seja bem administrado pelas secretarias estaduais”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

O país espera receber 22,9 milhões de testes no total, 9 milhões deles até julho deste ano. Mas, até agora, o Brasil só recebeu 905 mil testes rápidos e de PRC. “Se acabar o teste nós não temos como suprir imediatamente”, admitiu o secretário.

Ainda assim, a pasta afirma estar satisfeita com o trabalho: “o que o Ministério da Saúde tem conseguido, em comparação com os demais países, é motivo de satisfação para todos nós.”

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Nos Estados Unidos da América, na cidade de Nova Iorque, os mortos são enterrados em valas comuns.

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Governo esconde o jogo: Mortes por coronavírus podem ser 48% maiores

A subnotificação, a impossibilidade de autópsias, e a falta de testes são os resultados de tantas mortes no Brasil, que, emboras não contabilizados oficialmente, já nos assombram.

Levantamento feito com base nas declarações de óbitos registradas nos cartórios, mostra que 722 pessoas tiveram a doença COVID-19 apontada como causa ou suspeita da morte no Brasil, entre os dias 16 de março e 5 de abril. O número é 48% maior que a contabilidade oficial do Ministério da Saúde, que naquela data (5 de abril) apontava 486 óbitos confirmados — ontem, o Ministério da Saúde atualizou para 800 óbitos. Os documentos ainda revelam uma grande diferença na contabilidade dos estados no caso de vítimas do novo coronavírus.

Os dados constam em um portal da transparência desenvolvido pela Arpen Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), a pedido do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), com números atualizados em tempo real pelos cartórios de registro civil Em 10 unidades da federação, há mais mortes em registros do que constam nos balanços oficiais, e em 17 unidades acontece o inverso. Isso aponta para a falta de uniformidade dos critérios adotados pelos estados.

A maior diferença percentual está no estado de Goiás, onde os registros nos cartórios mostravam 13 mortes ou suspeitas por COVID-19, contra 3 no balanço oficial. Em outros estados, como Pernambuco, há o inverso: 12 mortes nos registros e 21 no relatório oficial.

Em 31 de março, uma portaria do Ministério da Saúde e do CNJ autorizou enterros e cremação sem o atestado de óbito, por conta da epidemia do COVID-19. O documento é feito pelos cartórios com base justamente na declaração de óbito.

Com essa determinação, quando houver morte por doença respiratória suspeita de ter sido causada pelo novo coronavírus e não confirmada, deve ser descrito no registro como provável vítima infectada pela doença COVID-19.

Isso se junta com a informação de que o número de doentes pode ser muito maior do que o estipulado, que já é da ordem de 20 mil, podem chegar a 10 vezes mais que isso, talvez além, ou seja podemos estar falando de centenas de milhares de casos.

É impossível confiar no governo nestas condições, eles não sabem quantos doentes existem, quem são, onde estão, e nem sabem quem são os mortos! Nessas condições a população precisa se mobilizar, tomar às rédeas da situação e impedir a catástrofe.

Diário Causa Operária