A confirmação do nome do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), membro da “tropa de choque” do presidiário Eduardo Cunha e do presidente Michel Temer, como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS já provocou a primeira baixa na comissão. Antes mesmo da primeira reunião deliberativa, prevista para a tarde desta terça-feira, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) já pediu para sair da comissão. Em rebelião, outros deputados prometem fazer o mesmo. As informações são de Maria Lima e Letícia Fernandes n’O Globo, com redação.

— Eu já pedi para sair da CPMI. (A escolha de Marun) deixa a impressão de acerto de contas, de revanche, que descaracteriza a necessária investigação dos fatos — disse Ferraço.

Em resposta, Marun deu “tchau” aos descontentes com sua nomeação:

— Se for o meu adeus que lhes prende, tchau — rebateu o deputado, que é tratado como um parlamentar que vai atuar para retaliar e invalidar a delação dos executivos do grupo J&F.

O presidente da CPMI, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), disse que não teve como não atender a indicação do PMDB, que é o maior partido da Casa.

Para amenizar a insatisfação na comissão, Ataídes criou duas subrelatorias para abrigar os deputados Delegado Francischini (SD-PR) e Hugo Leal (PSB-RJ).

— Claro que o deputado Marun não era o nome escolhido por todos os membros. Mas os parlamentares sabem que a tradição indica que a nomeação é do PMDB. Com as duas outras subrelatorias, a coisa coisa melhorou bastante — disse Ataídes.

‘BARGANHA COM O VELHINHO’

Ataídes foi ao encontro de Temer no último sábado e, na reunião, acertou obras para sua base eleitoral. No entanto, ele negou a acusação de ter feito “barganha com o velhinho” para definir a relatoria.

— Você disse que eu fiz barganha com o velhinho? Não fiz barganha nenhuma! Mas já pensou? Se ele diz que vai duplicar 800 quilômetros da BR 153 no Tocantins, vou até limpar o chão do Planalto se ele quiser, mas com ética! — rebateu Ataídes Oliveira.

Sobre a dificuldade do líder do PMDB, Raimundo Lira (PB), de indicar os membros do partido para a CPMI, Ataídes disse que o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), pode fazer as indicações por ofício.

Raimundo Lira admitiu que os senadores, por terem recebido doações da JBS nas campanhas eleitorais, estão declinando do convite para integrar a comissão.

— A CPMI irá funcionar independente do PMDB. Se não indicar, vai ficar muito ruim para o partido. A Imprensa vai ficar em cima. E Eunício pode indicar de ofício — afirmou Ataides.

EM DEFESA DE MARUN

O deputado Baleia Rossi (SP), líder do PMDB na Câmara, defendeu nesta terça-feira a indicação de Marun para a relatoria da CPMI da JBS. Em resposta às críticas de parlamentares, que afirmam que o nome de Marun dá um tom revanchista à comissão, Baleia disse que não existe parlamentar “em cima do muro”:

— Na Câmara e no Senado não existe em cima do muro, deputado nem senador neutro. Ou é a favor do governo ou é da oposição — afirmou o peemedebista.

O líder, correligionário do presidente Michel Temer, aproveitou para elogiar as credenciais de Marun, que foi presidente da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara:

— Isso é bobagem, Marun é preparado, um cara correto e não há nada que o desabone, nem do ponto de vista técnico nem moral.