O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e três diretores da mineradora foram afastados por decisão do Conselho de Administração da empresa. Deveriam ter sido presos. 

Em qualquer país sério do mundo o presidente da Vale teria sido preso por causar a morte de mais de 300 pessoas, destruir um rio que abastecia dezenas de cidades e destruir o meio ambiente, deixando milhares de famílias desabrigadas. Na China, por exemplo, Fabio Schartsman teria sido fuzilado, mas no Brasil… no Brasil o que vale são as conexões com políticos corruptos com campanhas políticas financiadas pela empresa. No Brasil “quem rouba galinha é ladrão; quem rouba milhões é barão”, diz a sabedoria popular. Portanto não adianta ter expectativas com justiça porque ela não existe em um país governado por corruptos e aventureiros.

Segundo nota divulgada à imprensa, os pedidos de afastamento de Fabio Schvartsman e mais três diretores do Conselho de Administração da empresaforam feitos pelos próprios executivos, depois de recomendações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, do Ministério Público de Minas Gerais e da Polícia Civil do estado.

A decisão de aceitar os pedidos de afastamento foi tomada entre a noite de sexta-feira (1º) e a madrugada de ontem (2). A presidência interina da empresa já foi assumida pelo diretor executivo de Metais Básicos da Vale, Eduardo de Salles Bartolomeo, conforme plano de interinidade previamente discutido.

Além de Fabio Schvartsman, foram afastados Gerd Peter Poppinga (diretor executivo de Ferrosos e Carvão), Lucio Flavio Gallon Cavalli (diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão) e Silmar Magalhães Silva (diretor de Operações do Corredor Sudeste).

Claudio de Oliveira Alves, atual diretor de Pelotização e Manganês, ocupará interinamente a função de diretor executivo de Ferrosos e Carvão, e Mark Travers, atual diretor Jurídico, de Relações Institucionais e Sustentabilidade de Metais Básicos, ocupará interinamente a função de diretor executivo de Metais Básicos.

“A Vale informa também que seu Conselho de Administração permanece em prontidão, na busca de um relacionamento transparente e produtivo com as autoridades brasileiras, visando ao esclarecimento dos fatosà reparação apropriada dos danos e à integridade da empresa, e que manterá a sociedade e os mercados informados sobre qualquer fato novo”, diz a empresa em nota.

Os moradores da região estão sendo afetados por diversas doenças causadas pelos produtos tóxicos espalhados pelos rejeitos das barragens.

O rompimento de três barragens da Vale em Brumadinho (MG), no passado mês janeiro, foi o maior acidente de trabalho da história do Brasil – e o segundo acidente industrial mais mortífero do século 21 em todo o mundo. Mas não pode ser considerado acidente de trabalho: foi uma ação criminosa a partir do momento em que a empresa demitiu ou afastou técnicos que alertaram sobre os riscos de rompimento das barragens.

Na sequência do caso, cinco pessoas foram detidas, suspeitas de terem alterado os documentos técnicos de fiscalização da segurança das barragems que se romperam, causando uma tragédia que já soma 186 mortos e 118 desaparecidos. Ou seja: 304 mortos, porque os desaparecidos serão considerados mortos em alguns meses.

Redação com Ciberia