Grande parte dos eleitores fez a opção de comprar Donald Trump nas urnas brasileiras, o capitão Jair Bolsonaro, mas estão comprando produto paraguaio, na verdade, pagarão por um Trump e receberão um Idi Amin Dada.

Para aqueles que não se recordam, Idi Amin foi um dos ditadores mais brutais e insanos da África, e só foi deposto após matar cerca de 300 mil pessoas em Uganda.

Idi Amin era doido de pedra. Certa vez ele teria escrito uma carta à rainha britânica Elizabeth II dizendo que, se ela quisesse conhecer um homem de verdade, era só visitá-lo em Uganda… Após romper relações diplomáticas com os britânicos, ele se autoproclamou “rei da Escócia”. (Em 2007, a cinebiografia O Último Rei da Escócia, sobre Idi Amin, rendeu o Oscar de melhor ator a Forest Whitaker).

Nestas eleições, mais uma vez, o Brasil está mais próximo de Uganda do que dos EUA.

O argumento de que Bolsonaro seria um Trump brasileiro é ridículo, pelo simples fato de que Trump é inteligente, enquanto Bolsonaro faz parte da turma dos militares burros e truculentos (por isso foge dos debates com Haddad) – exatamente como era Idi Amin –, basta ler os pronunciamentos do general Mourão, a quem Ciro Gomes chamou de “burro de carga”. Ou, as palavras de Ulisses Guimarães, em 1992, que chamou de três patetas os comandantes das Forças Armadas, tendo desaparecido misteriosamente meses depois.

Exatamente como Idi Amin Dada, Jair Bolsonaro foi um militar medíocre. Sua única ação conhecida foi arquitetar um fracassado atentado terrorista a um quartel para aumentar o próprio salário. Como deputado, em 27 anos de mandato, conseguiu aprovar dois projetos de Lei, nada mais.

Este é o retrato do “Trump brasileiro” a quem o currais eleitorais de pentecostais, guiados por pastores corruptos, o sistema financeiro e a mídia canalha desejam eleger.

A propalada onda conservadora que se abateu sobre diversos países europeus não atingiu o México, que elegeu um presidente socialista porque o povo está cansado de presidentes covardes, subservientes ao império norte-americano. Na América Latina, presidentes covardes e subservientes ao imperialismo são maioria, mas o “Idi Amin brasileiro” é muito perigoso porque seus apoiadores manifestaram interesse em atacar a Venezuela, a serviço dos EUA que desejam dominar o maior produtor de petróleo do continente. Uma guerra contra a Venezuela seria uma tragédia para o povo brasileiro porque o país de Maduro tem armas russas e chinesas muito mais avançadas que o armamento brasileiro.

A bancada de apoio a Bolsonaro no Congresso já está sendo chamada de Bancada BBB – bala, boi e bíblia.

O “Trump brasileiro” é na verdade um Idi Amin. O brasileiro merece.

 

Fernando Marques – Curitiba