O repórter Jamil Chade, do Estadão, teve um quase café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quarta-feira, 23, em Davos, na Suíça. Sentado à mesa ao lado no restaurante do hotel, o repórter acompanhou cerca de 20 minutos da conversa da comitiva com o presidente, assessores, o chanceler Ernesto Araújo e o filho Eduardo Bolsonaro. Assuntos estratégicos foram tratados, assim como a repercussão na imprensa do discurso de Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, além de questões corriqueiras e mesmo brincadeiras. As informações são do BR-18.

Dois momentos chamam atenção. O primeiro, é quando o tema da conversa foi a situação do Enem. “Pode ter certeza que alguém do PT vai vazar a prova”, disse Bolsonaro, num dos trechos da conversa que está gravado. “Vai vazar”, repetiu, insistindo para a facilidade que seria “tirar uma foto”. O outro, foi quando Eduardo perguntou ao grupo: “Trilionário e bilionário têm (a letra) H?”. “Não, né?”.

 

BBC denuncia: Flávio Bolsonaro também foi funcionário fantasma e tinha 3 cargos mas não ia trabalhar

Entre 2000 e 2002, Flávio Bolsonaro, então com 19 anos, acumulou três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial diária de Direito e estágio voluntário duas vezes por semana no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília. A informação foi publicada no site da BBC Brasil, em uma reportagem que aponta que todos os cargos foram ocupados ao mesmo tempo por quase um ano e exigiam a presença física do primogênito do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e hoje senador eleito pelo PSL-RJ.

“O posto de assistente técnico de gabinete foi ocupado por Flávio na liderança do PPB, partido pelo qual Jair Bolsonaro havia sido eleito para seu terceiro mandato na Câmara. Esse mesmo posto comissionado foi ocupado antes por outro membro da família de Jair Bolsonaro: a então mulher dele, Ana Cristina Siqueira Valle, deixou o cargo uma semana antes de ser substituída por Flávio”, aponta a reportagem.

Ainda de acordo com a reportagem, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro disse que não iria responder aos questionamentos da BBC.

Não há informações públicas disponíveis sobre os salários pagos a Flávio e Ana Cristina à época. Mas, segundo declaração do Imposto de Renda de Flávio, o cargo de assistente técnico de gabinete rendeu em 2001 o equivalente a R$ 4.712 por mês, ou R$ 13,5 mil em valores corrigidos.

As normas da Câmara determinam que essas funções só podem ser exercidas pelos funcionários em Brasília. Questionada pela BBC News Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação sobre a norma vigente à época, a Câmara dos Deputados afirmou que os cargos de natureza especial, como o ocupado por Flávio nos anos 2000, “têm por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal”.

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