O vídeo do editor-chefe do programa Conexão Repórter, Roberto Cabrini, no SBT, que teve grande repercussão nas redes sociais, demonstra que há espaço para negacionismo na TV de Silvio Santos apesar de duas mortes por covid-19 terem sido registradas na sucursal carioca da emissora.

Viomundo

Os profissionais foram devidamente homenageados em notas oficiais.

Sem apresentar provas, qualificar suas afirmações ou citar nomes de hospitais, Cabrini disse, dentre outras coisas, que não existe situação de emergência em hospitais e que a estratégia do Brasil de enfrentar a pandemia já se mostra a segunda mais eficaz do mundo, depois da Coreia do Sul.

É uma comparação descabida, pois Brasil e Coreia estão em fases distintas da pandemia.

A Coreia agiu com rapidez, testou em massa, indiscriminadamente, com resultados rápidos — no Brasil, só pacientes mais graves são testados, faltam testes e equipamento de proteção para profissionais de Saúde e os resultados podem demorar dias.

A UTI de referência do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, está lotada, pacientes não conseguem vagas em hospitais de Manaus e a situação é crítica em Fortaleza, Recife e Belém.

Hoje, o Brasil tem um morto por covid-19 por 100 mil habitantes, taxa que é superior à de China, Índia, Rússia e Japão — dentre muitos outros países.

Há indícios de altíssimas taxas de subnotificação em várias cidades brasileiras, diferentemente do que aconteceu na Coreia do Sul.

No Brasil, a própria sede carioca do SBT testemunhou uma situação dramática, quando o editor de imagens José Augusto Nascimento Silva, de 57 anos de idade, denunciou a emissora antes de morrer de covid-19.

“Nenhum lugar no Rio de Janeiro tem mais casos suspeitos que no SBT”, ele disse em áudio disseminado no whatsapp.

“Eu agora estou sob suspeita, inclusive com atestado de 14 dias que o doutor deu porque me calcei, sabe que não sou burro. Se tiver que processar essa turma eu vou processar”, afirmou antes de morrer.

Nesta quarta-feira, 22, foi anunciada a morte de um segundo funcionário do SBT no Rio, o cinegrafista Robson Thiago Mesquista, conhecido como Tio Chico.

Colegas disseram nas redes sociais que ele mal teve tempo de conhecer a filha recém-nascida, Valentina.

O SBT é alinhado ao governo de Jair Bolsonaro.

Durante a reforma da Previdência, o apresentador Ratinho recebeu R$ 915 mil do governo federal para fazer quatro elogios à proposta do governo.

“Você acha que se a Previdência fosse ruim para o povo, eu estaria a favor?”, disse Ratinho numa das inserções pagas.

No total, em merchandising embolsado pelos apresentadores e a emissora, durante a campanha pela reforma, o SBT ficou com R$ 5,8 milhões.

Em 2019, na distribuição total das verbas da Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro, o SBT recebeu uma fatia de 27%, contra 18% da Globo — apesar de, na audiência, a Globo ter tido média de 36%, contra 15% do SBT.

Apesar da opinião de Cabrini não ter sido paga, ela tem o tom negacionista que é a marca do governo Bolsonaro em relação à pandemia.