Brasil  247 – Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência afirma que uma eleição sem Lula tem um peso específico, que vai além do partido do ex-presidente. Ela diz que “apesar da baixa preferência partidária dos brasileiros, há cerca de 30% com simpatia pelos partidos de esquerda. Sem o Lula, o que pode acontecer é uma reorganização dos partidos de esquerda, para que não percam essa fatia do eleitorado. A diretora do Ibope diz que “os únicos com taxas significativas são Lula, Bolsonaro e Marina e que o restante dos votos parece estar muito pulverizado.

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Acho que deve acabar ocorrendo uma recomposição dos partidos, de maneira que não tenhamos tantos candidatos concorrendo. Será uma campanha curta, que terá emoção até o último momento. ficou recentemente sensibilizada ao acompanhar os depoimentos de entrevistados em uma pesquisa qualitativa promovida por seu instituto. Reunidos em volta de uma mesa e convidados a falar sobre suas expectativas em relação ao futuro, grupos de eleitores de perfis diversos só manifestaram desesperança e angústia. “Foi uma tristeza”, disse ela, em entrevista ao Estado.

Em relação às notícias falsas, nossas pesquisas mostram que os eleitores se preocupam muito com isso. Eles acham que o ambiente da internet é mais propício para as pessoas divulgarem e passarem notícias falsas sem checar a fonte. Sabem e declaram que não podem acreditar em tudo o que veem na internet. A credibilidade maior é dos veículos de comunicação tradicionais: jornal, rádio, TV. É onde se sentem mais seguros em relação à informação que recebem. Existe interesse maior pelas notícias políticas. É claro que isso se verifica de maneira mais forte nos grupos urbanos e de maior escolaridade, mas também vemos essa preocupação de buscar mais informação nas classes mais baixas”.

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FIM DO ‘PLANO B’: O PT COMEÇA A MONTAR CAMPANHA DE LULA

Brasil 247 – A direção nacional do PT deu início à montagem da campanha à presidência da república de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente indicado ao Nobel da Paz. O PT afasta, assim, as discussões sobre o “plano B”, que começavam a truncar o cenário eleitoral, já confuso em função da sucessão de ‘balões de ensaio’ e desistências. O PT entende que a situação legal da candidatura Lula não é assunto encerrado e promete dar início a uma campanha histórica pela volta da democracia diante da inédita situação de um preso político que lidera todas as pesquisas de intenção de voto e de um partido que voltou a crescer a a conquistar a confiança em escala da população.

“Na semana passada, a corrente majoritária do partido Construindo um Novo Brasil (CNB), que preside o PT, decidiu insistir na candidatura de Lula até o fim, mesmo que isso leve o partido ao isolamento na eleição presidencial. O próprio ex-presidente, em carta, deu o recado: “Se aceitar a ideia de não ser candidato, estarei assumindo que cometi um crime”. A ideia é transformar a campanha em um palco para a defesa de Lula. “Só estamos pedindo o direito de seguir apoiando nosso candidato”, disse na sexta-feira o ex-ministro Gilberto Carvalho.

Lideranças da CNB vão levar para deliberação da executiva nacional propostas para a criação imediata de dois comitês físicos de pré-campanha em São Paulo e Brasília, agilizar o processo de apresentação das diretrizes do programa de governo, intensificar as conversas com o PR sobre a possibilidade de o empresário Josué Gomes da Silva ser o vice de Lula – o que passaria também pelo processo de convencer o filho do ex-vice-presidente José Alencar aceitar ser registrado – e a definição dos nomes autorizados a representar o ex-presidente em debates e entrevistas.”

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Sem Lula, 64,8 milhões não querem votar em ninguém

Brasil 247 –

Um dado perturbador é revelado pela pesquisa presidencial da CNT de hoje.

Na pesquisa que inclui Lula, ele fica disparado em primeiro, com 32% e o segundo, Bolsonaro, tem metade; seguem-se Marina e Ciro, em terceiro e quarto. Nulos e brancos 18% e indecisos 8,7%.

Sem Lula na lista, Bolsonaro salta para primeiro, mas cresce apenas 2%, seguido por Marina e Ciro. Mas aí vem o número surpreendente: 29,8% votam nulo ou branco e 16% ficam indecisos.

Em ambos cenários, Haddad, Boulos e Manuela estão nas últimas colocações.

Isso mostra que, com Lula candidato, nulos e indecisos somam 25% e, sem ele, esse número quase dobra, vai a quase metade dos eleitores (45% ou 64,8 milhões de pessoas).

O próximo presidente poderá, desse modo, ser eleito por apenas metade do eleitorado, enquanto a outra irá silenciar. Será o presidente de metade do país e não de todo o Brasil.

A pesquisa vai fortalecer, dentro do PT, a posição dos que defendem a manutenção da candidatura Lula, haja o que houver. É fácil entender o porquê. Está claro que nenhum candidato do campo da esquerda tem fôlego para chegar sequer nas proximidades da sua pontuação, estando ele na corrida ou não.

Sendo esse o cenário, tudo indica que Lula, ao insistir na candidatura, aposta na possibilidade de estar em primeiro às vésperas da eleição, mesmo preso e, desse modo, desqualificar o resultado, seja qual for. Porque será a escolha de apenas metade do país sem seu nome na urna.

 

Alex Solnik, o autor,  é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”