Neste exato momento, tanto o ex-ministro Antônio Palocci como o ex-deputado Eduardo Cunha devem estar reavaliando suas estratégias jurídicas.

Em seu depoimento ao juiz Sergio Moro, Palocci sinalizou a intenção de delatar, mas mandou recados para o sistema financeiro e para os meios de comunicação, indicando que poderia dar mais um ano de trabalho para a força-tarefa da Lava Jato, se contasse o que sabe.

Cunha, por sua vez, não se cansa de repetir a história dos cinco amigos: um que virou presidente [Michel Temer], três que se tornaram ministros [Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima] e um que acabou preso [ele próprio].

Ou seja: os dois vinham flertando com a possibilidade de se tornarem delatores, imaginando que teriam prisões perpétuas em Curitiba, mesmo sem condenações em segunda instância.

Agora, como José Dirceu ganhou o direito de responder em liberdade, ambos podem conter seus impulsos de se tornarem delatores.

Paraná 247

MPF fez ‘brincadeira juvenil’ ao acusar Dirceu, diz Gilmar Mendes

“A República de Curitiba não é suprema” disse o ministro Gilmar Mendes, referindo-se aos procuradores de Curitiba que lideram a Operação Lava Jato. Ele fez duras críticas à força-tarefa da Operação Lava Jato por ter apresentado uma nova denúncia contra o ex-ministro José Dirceu justamente no mesmo dia em que a Corte analisaria um habeas corpus a seu favor. Ao votar pela revogação da prisão preventiva do petista, o ministro afirmou que o STF não poderia ceder à pressão dos procuradores, a quem chamou de “jovens sem vivência institucional”.

“A imprensa publica que as razões que os valorosos procuradores de Curitiba dão para a data de hoje é porque nós julgaríamos o habeas corpus hoje (…). Já foi dito da tribuna [pelo advogado de defesa de Dirceu, Roberto Podval]. Se nós devêssemos ceder a esse tipo de pressão, quase que uma brincadeira juvenil, são jovens que não têm a experiência institucional nem vivência institucional, e por isso fazem esse tipo de brincadeira… Se nós cedêssemos a esse tipo de pressão, nós deixaríamos (…) de ser ‘supremos’. Curitiba passaria a ser ‘suprema’. Nem um juiz passaria a ser ‘supremo’. Seriam os procuradores. Quanta falta de responsabilidade em relação ao Estado de Direito”, afirmou Gilmar Mendes ao ler o seu voto, que desempatou o julgamento pela anulação da prisão de Dirceu.