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O alto índice de mortes causadas pela COVID-19 e o surgimento da variante em Manaus, no Amazonas, causaram danos graves à imagem do Brasil que afetam tanto o turismo de brasileiros em outros países quanto a exportação de produtos vendidos ao exterior, avalia especialista ouvido pela Sputnik Brasil.

Desde o dia 9 de março, data em que ultrapassou os Estados Unidos, o Brasil é o epicentro da pandemia do novo coronavírus. Nas últimas semanas, morreram mais brasileiros por dia do que a soma dos dez países seguintes mais afetados. Mais de um terço das mortes no planeta por COVID-19 ocorrem no Brasil. Desde o início da pandemia, 336.947 brasileiros já morreram de COVID-19.

Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP), lembra que o brasileiro é atualmente o segundo turista que mais enfrenta restrições de entrada em outros países.

“Há uma resistência dos demais países em relação a uma certa atitude não obediente aos valores da ciência por parte das autoridades brasileiras. É indiscutível também que a OMS [Organização Mundial de Saúde] tem manifestado seguidas preocupações com o formato do tratamento e da obediência às regras internacionais de controle da COVID-19. Se nós olharmos para esses indicadores é difícil não admitirmos que a posição do Brasil hoje é muito difícil no contexto internacional”, afirmou.

Atualmente, já são mais de 115 países que restringem a entrada de brasileiros em seus territórios por conta do alto índice de casos e de mortes por COVID-19 no Brasil.

“Essa imagem de um país cuidadoso com a saúde, de um país com uma cobertura epidêmica muito pronta, com um sistema de saúde unitário que era um exemplo para o mundo se perdeu com os descuidos ocorridos com essa pandemia”, alertou o especialista.

O colapso no sistema de saúde do Brasil em decorrência da pandemia fez com que o país passasse a ser visto como uma ameaça à saúde global.

​A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nesta quarta-feira (6) o Boletim Extraordinário do Observatório COVID-19 que alerta que “a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo do mês de abril, prolongando a crise sanitária e colapso nos serviços e sistemas de saúde nos estados e capitais brasileiras”.

A análise da Fiocruz mostra também que as variantes do SARS-CoV-2 continuam em circulação intensa em todo o país. Além disso, a sobrecarga dos hospitais, observada pela ocupação de leitos de UTI, também se mantêm alta.

Paciente com COVID-19 recebe cuidados em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Hospital São Paulo, na capital paulista, em 17 de março de 2021
© REUTERS / AMANDA PEROBELLI
Paciente com COVID-19 recebe cuidados em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Hospital São Paulo, na capital paulista, em 17 de março de 2021

​Segundo Trevisan, a visão negativa a respeito do Brasil em razão da pandemia traz diversas consequências negativas para os brasileiros.

“[A imagem ruim do Brasil no cenário internacional] tem um impacto simples de ser entendido. O turismo internacional olha para isso na escolha da sua visita”, explicou.

Para além do turismo, Leonardo Trevisan também destaca que o fato do Brasil ser atualmente o epicentro da pandemia da COVID-19 no mundo causa impactos para o comércio exterior brasileiro.

“Os produtos brasileiros não podem ficar acoplados a uma imagem de descuido, a uma imagem de recusa de seguir ordens internacionais. Quando eu compro um produto eu compro a confiança nesse produto, é isto que está sendo abalado. Nós não temos a menor ideia de quanto tempo vamos levar para recuperar essa posição que antes era uma posição bastante segura e forte”, analisou.