Muito mais que ex-deputada estadual, ex-deputada federal, esposa do ministro da saúde, Ricardo Barros, mãe da deputada estadual Maria Victoria e atual vice-governadora do Paraná, ela tem uma história de vida vitoriosa que poucos paranaenses conhecem.

Décima filha de um família de 13 filhos de Caçador, no meio-oeste de Santa Catarina, já nasceu vencedora. Ainda no ventre, horas antes de vir ao mundo, saiu ilesa junto com a mãe, Ires Anna Borghetti, de um grave acidente em uma curva na rodovia que liga Caçador a Porto União. O bebê de apenas sete meses nasceria naquela noite.

O nome foi uma homenagem a Nossa Senhora de Aparecida. No momento do tombamento do coletivo, dona Ires teria pedido a intercessão da padroeira: “Nossa Senhora Aparecida nos acuda”. Em devoção, o nome escolhido para criança foi Maria Aparecida Borghetti.

Não foi apenas no nascimento que Cida Borghetti, como ficou conhecida, lutou pela vida. Aos 33 anos, foi diagnosticada com câncer no colo do útero. Durante quatro anos, já mãe da pequena Maria Victoria – atual deputada estadual – resistiu bravamente. Passou por cirurgias, retirou o colo do útero, ovários e as trompas. Ficou viva e fortalecida.

Tornou o doloroso aprendizado em bandeira de atuação parlamentar, criando campanhas e políticas públicas voltadas a prevenção da doença durante seus mandatos na Assembléia Legislativa do Paraná e na Câmara Federal em Brasília. Com forte vínculo no modelo tradicional de família, estendeu seu trabalho para a primeira infância.

Se no cargo de deputada estadual foi recordista na produção de leis estaduais no Estado – uma delas que instituiu o Dia Estadual de Luta contra o Câncer de Mama –, em Brasília, como deputada federal, coordenou a redação do Marco Legal da Primeira Infância. A lei que cria programas, serviços e iniciativas voltados à promoção do desenvolvimento integral de crianças desde o nascimento até os seis anos de idade – e  é considerada a lei mais avançada do mundo sobre o assunto – a levou no ano passado a participar 55ª Sessão da Comissão de Desenvolvimento Social da Organização das Nações Unidas (ONU) para detalhar como foi construída a legislação no Brasil.

Acessível, simples no trato e experiente na política, neste ano Cida busca uma nova vitória em sua vida. Quer se tornar a primeira mulher governadora do Paraná. Na tarde de sexta-feira (26) ela passou por Campo Mourão e, em visita a sede do i44 News, conversou com o jornalista Gelinton Batista:

A senhora travou uma grande luta contra o câncer e venceu. Qual é o aprendizado que pode ser repassado para as pessoas que estão enfrentando essa situação?
Cida Borghetti: 
Amor à vida. Acho que essa é a grande palavra.

A senhora tem uma atuação reconhecida no setor de prevenção do câncer. Qual o propósito desse trabalho?
Cida Borghetti:
 É um trabalho de prevenção. A única maneira de salvar vidas, de trabalhar um diagnóstico precoce é ajudar as pessoas a evitar essa doença que mata, que é tão violenta, que desestrutura as famílias, que é tão dispendiosa, que é cara para o serviço público, que é cara para as pessoas que, muitas vezes, no desespero acabam vendendo o patrimônio para buscar o que tem de melhor e mais moderno. E, muitas vezes, não encontram a cura. Então a minha mensagem aqui é busquem o diagnóstico através dos exames preventivos.

Outra área que a senhora tem atuação reconhecida é a infância. O que vem a ser o Marco Legal da Primeira Infância?
Cida Borghetti:
 Nós aprovamos na Câmara Federal. Quando eu estava deputada federal, fui presidente da Comissão da Primeira Infância, e hoje o Brasil tem a lei mais avançada no mundo de atenção a criança de 0 a 6 anos e que serve de base para o programa do governo federal, do presidente Michel Temer, Criança Feliz. Muitos municípios brasileiros, e acredito que Campo Mourão também, aderiram a esse programa que é focado no atendimento de crianças de 0 a 6 anos.

A senhora tem o esposo e a filha atuando na vida pública. Como é conciliar o papel de mãe, de esposa e as atribuições dos cargos públicos em um clã político?
Cida Borghetti:
 Não conheço outra maneira, porque desde que começamos a namorar, noivado e casamento já foi desta maneira. Quando Maria Victória nasceu, o Ricardo já estava prefeito de Maringá. Também conviveu o tempo todo com esse modelo de vida, servindo as pessoas, trabalhando pelos outros. Então, é o nosso sistema de vida, de atender e cuidar das pessoas, dos municípios. É tranquilo. Faz parte do nosso dia a dia.

Como a política surgiu na sua vida?
Cida Borghetti:
 Eu sou militante desde adolescente. Sou da fundação do PSD jovem do Paraná. Naquela época, o governador era o Ney Braga, meu pai era getulista, era apaixonado pela política. Meu pai e minha mãe sempre foram militantes partidários e dos movimentos sociais da Igreja Católica. Então veio daí o gosto e, ao longo do caminho, encontrei o Ricardo, que também já vinha com toda essa trajetória de sucesso.

Em sua opinião, qual o diferencial na forma de governar por ser do sexo feminino?
Cida Borghetti:
 A mulher tem o dom de ser mãe, de amamentar. Eu acho que esse lado carinhoso, esse olhar maternal da mulher, esse olhar total que a mulher tem, de cuidar das pessoas, da família, das crianças, talvez seja um diferencial. Não que o homem não tenha. O homem também tem esse olhar carinhoso. Mas é um diferencial.

Em abril a senhora pode ser tornar oficialmente a primeira mulher a governar o Paraná. O governador Beto Richa vai mesmo se desincompatibilizar para a senhora assumir o cargo?
Cida Borghetti:
 É uma decisão pessoal do governador Beto Richa em deixar o governo até 7 de abril para disputar uma das duas vagas ao Senado da República. Sendo assim, uma honra para nós, a primeira mulher a assumir o governo do Estado do Paraná. Tenho um bom relacionamento com o governador, de trabalho, de confiabilidade, e estamos nessa expectativa.

O que será possível avançar em oito meses se realmente o governador Beto Richa deixar o cargo?
Cida Borghetti:
 O Paraná é um estado bastante diferenciado da nação hoje. Pelos ajustes fiscais liderados pelo governador Beto Richa, possibilita hoje ao Paraná um estado em crescimento, novos postos de trabalho, obras por todo o estado, repasses significativos para todas as prefeituras. Um dos estados que mais investe em saúde pública do Brasil é o Paraná, em especial aqui pra região. Olha os investimentos na Santa Casa, que somam mais de R$ 36 milhões, entre tantos outros investimentos significativos. Acho que uma continuidade das políticas que estão dando certo, ampliação da política econômica, das políticas sociais, avançar na modernidade, as cidades sustentáveis, sempre inovar, tecnologia. Por exemplo, Campo Mourão e Maringá abrigam duas das maiores cooperativas do Brasil, que é a Coamo e a Cocamar. Eu entendo que é possível realmente transformar o nosso estado, que já é um estado de agronegócio, em um referência muito positiva nacional e internacionalmente nesta área, que já bate recordes de exportação de grãos através do nosso porto de Paranaguá, que é um porto moderno e eficiente.

O que de novo a sua provável candidatura representará para o Paraná?
Cida Borghetti:
 Representará um impacto muito positivo na vidas das pessoas, representando as mulheres e as famílias paranaenses. Temos um histórico, duas vezes deputada estadual, duas vezes deputada federal, sempre defendendo bandeiras importantes durante toda essa minha trajetória. Ações que pautam o Brasil hoje. As campanhas de prevenção contra o câncer de mama, de próstata, do colorretal, o marco legal da primeira infância, essa política de atenção à criança unindo educação, saúde e direitos humanos, ação social, cultura, esporte, atendendo essa demanda importante que é essa atenção prioritária. Uma criança bem nutrida, bem educada nos primeiro anos de vida, o impacto na sua vida adulta é completamente diferente. Vislumbra a possibilidade de um futuro melhor, um emprego melhor e muito melhor remunerada. Então, acho que essas bandeiras que nós defendemos e carregamos têm um impacto muito positivo na governabilidade do estado do Paraná.

Lula condenado, outros políticos sendo investigados e até presos. O que esse momento representa para um novo horizonte na vida pública e no comportamento dos políticos, já para os próximos governos?
Cida Borghetti:
 A justiça é para todos. A lei é para todos. Acho que é essa a mensagem que fica.