Comandante Brett Crozier, comandante do CVN-71 USS Theodore Roosevelt, falando à tripulação em Dezembro 2019. Foto US NAvy
Afastado pelo Pentágono, capitão de porta-aviões CVN-71 USS Theodore Roosevelt afetado pelo coronavírus é aclamado como herói

WASHINGTON – O capitão do porta-aviões nuclear americano  CVN-71 USS Theodore Roosevelt, foi afastado do comando por sua ação do surto de Covid-19 registrado no navio, foi aclamado como herói pelas tropas em sua partida, segundo vídeos publicados nesta sexta-feira, 3, em redes sociais.

As imagens mostram o capitão Brett Crozier – afastado do comando, em 02ABR2020,  depois que sua carta de advertência à US Navy vazou para a imprensa – deixando o navio enquanto passava por centenas de marinheiros, que o homenagearam com saudações militares, gritos e aplausos. O comandante já em terra bateu continência para tripulação e entrou em um carro que o aguardava.

Em carta de quatro páginas a seus superiores, que chegou ao San Francisco Chronicle, Crozier pede o desembarque  imediata dos quase 5 mil militares do navio, após o registro de vários casos de Covid-19.

“Não estamos em guerra. Os marinheiros não precisam morrer”, diz a carta, publicada na última terça-feira pelo jornal californiano, localizado em San Francisco.

O secretário da Marinha, Thomas Modly, não gostou da carta. “Não estamos em guerra no sentido literal, mas tampouco estamos completamente em paz”, comentou Modly, em entrevista coletiva, na quinta-feira. Ele chegou a anunciar a remoção do capitão. No entanto, após a grande repercussão negativa da decisão, Modly voltou atrás nesta sexta-feira e disse que Crozier será apenas “transferido”.

Modly disse que 114 casos de coronavírus foram registrados na tripulação até agora, mas nenhum grave, e que Crozier exagerou quando sugeriu que os marinheiros morreriam sem uma ação rápida.

“Crozier mostrou ter um julgamento extremamente deficiente em meio a uma crise”, disse Modly. O Pentágono pede aos militares que expressem suas críticas a seus superiores, respeitando as patentes. O Exército americano reclama que o capitão permitiu que sua carta chegasse à imprensa ao enviá-la com cópia para dezenas de pessoas.

Além disso, indicou o Pentágono, o comandante tomou a decisão de dar cinco dias de folga para suas tropas na última escala do Theodore Roosevelt, no começo de março, no Vietnã, quando o coronavírus atingia a Ásia.

O Roosevelt, um dos dois porta-aviões da Marinha dos EUA no Pacífico, está agora atracado em Guam, onde a maioria da tripulação está sendo alojada em terra para descontaminar o navio.

Ao chegar ao Roosevelt, o surto de coronavírus prejudicou uma peça-chave da prontidão militar dos EUA, embora as autoridades de defesa americanas digam que não há ameaças estratégicas imediatas e que o navio pode ser levado ao mar rapidamente, se necessário.

Crozier é acusado por ter enviado a sua carta ao Pentágono, para mais de 30 destinatários, muitos sem a necessidade de estarem na lista. A ação foi vista como intenção de vazar o documento para a imprensa o que ocorreu com a publicação pelo San Francisco Chronicle, cidade natal do comandante, em sua edição de 31 Março 2020.

Defesanet