El País

Filmes, séries e documentários utilizam o termo “apocalipse” para se referirem a catástrofes, desastres, pestes, guerras e outros acontecimentos negativos. Contudo, esse não é o sentido principal do último livro da Bíblia, “O Apocalipse”, no qual o termo significa ‘Revelação’ e traz mensagem de conforto e otimismo de Jesus Cristo aos seus discípulos sobre os últimos tempos.

Esse livro contém uma visão profética e fala de quatro cavaleiros que representam a peste, guerra, fome e morte, que ocorreriam antes do fim do antigo mundo e criação de novos céus e uma nova terra. Assim sendo, ao escrever sobre a profunda crise civilizatória que o mundo atravessa atualmente em escala mundial, eu não tenho de modo algum a pretensão de anunciar o fim do mundo. Procuro apenas analisar a presente situação, indicando possíveis alternativas a partir de minhas pesquisas na área das ciências humanas e sociais e de minhas experiências espirituais.

Não resta dúvida que estamos vivendo um agravamento das tendências de destruição e morte não apenas da natureza, mas dos seres humanos e de sua humanidade. A ciência vai acumulando dados e começa a levar a sério os riscos de que um fenômeno natural ou provocado pelos humanos possa acabar com a civilização. O relatório da ‘Fundação Desafios Globais’, por exemplo,     descreve ‘os doze cavaleiros do apocalipse’ como doze grandes ameaças que poderiam acabar com a civilização humana, entre elas os riscos atuais de mudança climática extrema, guerra nuclear, catástrofes ambientais, pandemias e colapso do sistema mundial. No passado, epidemias como a peste negra e a gripe espanhola não foram consideradas apocalípticas porque o mundo não estava tão conectado. Atualmente, a crise climática planetária pode trazer seca e fome, acentuando as ondas migratórias.

O Boletim dos Cientistas Atômicos indicou estar mais iminente o fim do mundo. Esse grupo foi fundado na Universidade de Chicago em 1945 por cientistas que ajudaram a desenvolver as primeiras armas atômicas. Hoje, esse coletivo inclui físicos e cientistas ambientais de todo o mundo, incluindo 15 prêmios Nobel. Segundo eles, o perigo de desastre global é maior em função dos comentários perturbadores sobre o uso e proliferação de armas nucleares, da descrença no consenso científico sobre a mudança climática, do surgimento de nacionalismos, ameaças à segurança cibernética e proliferação de ‘notícias falsas’.

Num recente texto, Junot Díaz, Professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e vencedor do prêmio Pulitzer, apresenta a pandemia do Covid-19 como o primeiro de muitos cataclismos. Denominou-o como um ‘apocalipse’, que revelou nossa negligência, falta de compaixão, apetite insaciável por lucro, aversão desonesta à verdade, má gestão do mundo, divisão e vaidade, em particular entre líderes políticos.  Junot aponta como solução o compromisso com a construção da solidariedade, cultivo da tolerância, compaixão, disposição em lidar com a verdade e união para lutarmos por um mundo melhor e sobrevivermos aos futuros ‘apocalipses’. (https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/09/a-covid-19-e-um-apocalipse.shtml).

Embora acompanhando esses sinais, analiso-os na perspectiva da possível transformação da História e do ser humano, mantendo-me em sintonia com a Revelação de Cristo sobre uma mudança radical do mundo.

Cordialmente,

Olga Sodré

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