Ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), tenente-brigadeiro-do-ar Sérgio Xavier Ferolla não poupou críticas ao governo Bolsonaro e a parte das Forças Armadas. “Quem gera as crises é o presidente”, diz ele

 

247 – O tenente-brigadeiro-do-ar Sérgio Xavier Ferolla, ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), fez duras críticas a Jair Bolsonaro.”É inaceitável tentar envolver as Forças Armadas em uma ruptura”, disse o tenente-brigadeiro Ferolla, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. O militar também criticou a utilização de militares na articulação política do governo. 

“As Forças Armadas não podem se meter em política. Elas são instituições de Estado e não de governo. Não deve se meter em política pessoal. Quem gera as crises é o presidente”, acrescentou.

O tenente-brigadeiro Sérgio Ferolla criticou também o negacionismo de membros do governo Bolsonaro. “Diga-me: Como é possível vir com essa conversa de Terra plana nessa altura do campeonato? Estamos no século 21. E tem dois amigos dele no governo: o ministro da Educação, esse Weintraub, e o das Relações Exteriores, o Ernesto Araújo”, afirmou.

Representantes da Aeronáutica têm mostrado insatisfação com o governo de Bolsonaro, que tem privilegiado o Exército. Integrantes da Força Aérea Brasileira (FAB) criticaram a medida de Bolsonaro de permitir ao Exército voltar a ter aviões, un período de crise econômica, em que as verbas para a Defesa são escassas. “O problema não é o Exército ter sua aviação, mas o momento da decisão, que não é oportuno”, afirmou Ferolla sobre o assunto.

pintura do artista plástico Enio Squeff

Militar adverte: “Reservas querem transformar o Exército num partido fardado”

Por E.P. Cavalcante,  capitão de mar e guerra,  reformado, do Corpo de Fuzileiros  Navais,  pesquisador de História Militar 

“Chamamos a atenção de todos os militares,  de todas as patentes, graduações ou cargos. Nesta hora grave em que vivemos!

Neste momento, mais do que nunca,  a responsabilidade dos militares da ativa cresce! E eles devem ser ouvidos.

É necessário compreender que as forças armadas são instrumentos do Estado e não do governo.

Não é papel dos militares pressionarem os poderes Judiciário e Legislativo para aprovarem o que o governo, o poder executivo, deseja e quer. E como o chefe do executivo quer.

E a ameaça de golpe de estado, por parte de militares da reserva, que fazem parte do governo atual, é uma séria ameaça à democracia e à liberdade. É, no mínimo, irresponsabilidade, ou na pior hipótese, chantagem.

Quando o presidente diz:  “Ordem absurda não se cumpre!”, de fato, ordem absurda não se cumpre.  Isto está escrito no Estatuto dos Militares, a legislação que rege a conduta de todos os militares, do general ao soldado, todos estão enquadrados pelas leis militares.

E o não cumprimento da legislação militar poderá ter sérias consequências para o infrator.

Daí, se conclui que nenhum comandante de unidade militar,  seja um batalhão, regimento ou divisão, pode cumprir a ordem absurda de fechar ou pressionar os poderes judiciário ou legislativo, porque não estão agindo de acordo com a vontade do chefe do poder executivo.

Os poderes Legislativo e Judiciário não são obrigados a funcionar segundo a vontade do chefe do executivo. De como ele  quer, deseja e pensa!

O general Carlos Alberto dos  Santos Cruz já se pronunciou sobre este fato mais de uma vez.

Há uma entrevista dele, muito clara,  sobre este assunto, hoje, 5 de junho, na página7, do jornal  O Globo.  E ele não está sozinho. As forças armadas brasileiras são o Exército, a Marinha de Guerra e a Aeronáutica.

E não é lícito que um pequeno grupo de militares da reserva remunerada,  por fazer parte do governo, fique ditando regras  em nome de todas as forças armadas.

E o mais chocante é querer transformar o Exército em um partido fardado.

Quando o Exército se envolve na politicagem, deixa de ser exército, força militar, pois a hierarquia e a  disciplina caem  a zero.

Hierarquia e disciplina que são a coluna vertebral da organização militar em qualquer lugar e tempo onde exista força armada.

É um absurdo, portanto, não querer cumprir uma decisão do STF, Supremo Tribunal Federal, alegando que ” Ordem absurda não se cumpre!”

Isto, sim,  é um absurdo!”