O acordo comercial assinado nesta quarta-feira entre os Estados Unidos e a China pode impactar negativamente as contas externas brasileiras, com a perda de US$ 10 bilhões em exportações. A soma corresponde a cerca de 5% dos US$ 223 bilhões exportados pelo Brasil no ano passado

247 – Do total de US$ 200 bilhões em produtos que a China se comprometeu a importar durante dois anos, segundo os termos do acordo fechado nesta quarta-feira (15) em Washington entre as duas maiores economias do Planeta, US$ 32 bilhões são de produtos agrícolas como carne, soja e outros grãos, itens tradicionais da pauta exportadora do Brasil à China.

O agronegócio brasileiro pode sofrer efeitos negativos. Segundo o economista-chefe para a América Latina da consultoria inglesa Oxford Economics, Marcos Casarin, citado pelo Globo, “há um risco para US$ 10 bilhões em exportações brasileiras”.

Esse é o volume que os chineses passaram a comprar do Brasil em retaliação às tarifas adotadas pelos Estados Unidos ao longo de 2019. Trata-se de cerca de 5% do valor exportado pelo Brasil no ano passado – US$ 223 bilhões.

“É algo marginal, mas sinaliza o fim de uma boa vontade que os exportadores brasileiros vinham tendo até agora dos compradores chineses por causa da pressão americana”, diz Casarin.

Investidores abandonam o Brasil e o dólar dispara

No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 1,30%, a 4,185 reais na venda. É a maior valorização diária desde 8 de novembro de 2019 e o patamar mais alto desde 5 de dezembro do ano passado. O motivo é a contínua fuga de capitais, diante dos maus resultados apresentados por Paulo Guedes

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar saltou 1,3% ante o real nesta quarta-feira, na alta mais intensa em mais de dois meses, com a moeda brasileira novamente liderando as perdas globais nos mercados de câmbio diante de renovados sinais de fraqueza na economia que podem prejudicar expectativas de fluxo cambial ao país.

Os dados corroboraram ainda mais apostas de cortes de juros. Uma taxa Selic mais baixa reduz a atratividade do real como ativo de investimento, colocando a divisa doméstica em desvantagem em relação a “rivais” como o peso mexicano.

Além disso, os sinais de menor ímpeto da economia no fim do ano passado jogam contra expectativas de melhora no fluxo cambial, cujo saldo no ano passado foi o pior da história.

No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 1,30%, a 4,185 reais na venda. É a maior valorização diária desde 8 de novembro de 2019 e o patamar mais alto desde 5 de dezembro do ano passado.

Na B3, o dólar saltava 1,20%, a 4,1860 reais.

Por ora, o movimento no câmbio ainda não indica estresse e uma piora estrutural no cenário para a moeda brasileira. A volatilidade implícita para as opções de dólar/real com vencimento de três meses tem oscilado em torno de 9,9% ao ano, ainda abaixo de máximas do começo de 2020, quando superou 10,6%.

Em novembro do ano passado, mesmo com o dólar batendo máximas históricas e flertando com 4,30 reais, essa medida de incerteza para a taxa de câmbio caiu de mais de 12% no começo daquele mês para cerca de 10% no final.

Mas novos cortes de juros voltam a emergir como um vento contrário ao câmbio e têm forçado o mercado a desarmar posições construídas no fim do ano passado que contemplavam um real mais valorizado.

Ainda assim, alguns analistas seguem vendo o real atualmente com excesso de fraqueza, o que deixaria a moeda mais inclinada para ganhos à frente.