Por José Gil

No dia primeiro deste mês de junho centenas de jovens marcharam pelas ruas da cidade para denunciar e combater o racismo e o fascismo em Curitiba. A palavra-de-ordem: “Vida negras importam”, fazendo referência ao assassinato do negro George Floyd nos EUA. A marcha foi um sucesso, mas ao chegar na frente do Palácio Iguaçu, um pequeno grupo de jovens arrancou a bandeira nacional do mastro, ateou fogo e rasgou alguns pedaços.

A organização do movimento condenou a ação que não estava prevista. Após este fato, no retorno da passeata, alguns participantes, provavelmente infiltrados, passaram a depredar alguns pontos de ônibus e a fachada de prédio público.

Nos dias que se seguiram parte da imprensa nativa, políticos de ocasião e outros oportunistas atacaram duramente o movimento anti-racista e anti-fascista, negando direito de resposta ao movimento, com exceção de alguns jornais de bairros e mídias sociais.

O episódio demonstra a hipocrisia reinante em Curitiba quando se trata de discutir o racismo e o fascismo.

Os jovens de periferia que marcharam contra o racismo e contra o fascismo representavam o posicionamento da maioria do povo brasileiro, afinal, os negros representam 54% da população brasileira. Entretanto, sofrem perseguições e criminalizações diariamente.

Essa hipocrisia fica clara ao recordarmos que em março de 2015 o humorista Danilo Gentili queimou a bandeira nacional. Um crime previsto pela Lei n.º 5.700/71.

Quando Danilo Gentili queimou a bandeira do Brasil ele não foi para a cadeia e ainda ganhou um programa de TV. Afinal, ele é branco. Fosse negro, estaria no cárcere, enxovalhado diariamente pelos moralistas e nacionalistas – além de milicianos criminosos – de plantão.