A gripe espanhola, que dizimou quase a metade da população mundial em 1928, foi a primeira pandemia a atingir os moradores do bairro Água Verde

No ano de 1918 Curitiba tinha cerca de 70 mil habitantes. Naquela época, aconteciam os primeiros casos da pandemia de gripe espanhola, a qual estima-se que dizimou mais de 50 milhões de pessoas ao redor do mundo.

No bairro Água Verde, depois de ter sido chamado de Quarteirão do Paiva, os imigrantes italianos que formavam chácaras viviam a normalidade do trabalho duro na agricultura. Em 1918 grande parte do leite consumido na cidade era produzido por colonos italianos e alemães no bairro Água Verde, A entrega de leite e queijos no centro da cidade e bairros próximos era feita em carroções ou charretes, com tração animal.

Alguns alfaiates do bairro Água Verde se destacavam na cidade e eram requisitados pelas famílias mais ricas.

Após quase 50 anos das grandes migrações de italianos para o Brasil, via marítima para Antonina e Paranaguá, os imigrantes que subiram a Serra do Mar e se estabeleceram nos bairros Água Verde, Santa Felicidade, Pilarzinho e Umbará, foram pegos de surpresa com a pandemia da gripe espanhola.

Naquele tempo não havia meios de comunicação eficientes e as pessoas souberam da pandemia depois que ela havia se instalado.

Em 1928 a cidade atravessou três meses de dores e sofrimentos. Nessa época chegou a Curitiba uma epidemia de gripe virulenta, chamada de gripe espanhola ou influenza espanhola, que teria começado a fazer vítimas no Brasil depois da passagem pelo país do navio Demerara que teria trazido o vírus, em meados de setembro, após atracar em Recife, Salvador e Rio de Janeiro, cidades onde o vírus foi disseminado.

Curitiba contava com 78 mil habitantes. A pandemia atingiu 45.249 pessoas entre outubro e dezembro de 1918, o equivalente a 57,7% dos curitibanos.
No livro de Valêncio Xavier “O Mez da Grippe” destaca-se o pânico dos curitibanos. Alguns jornais chegaram a falar que a epidemia seria apenas uma gripe comum, mas logo a verdade apareceu.

O famoso médico Trajano Reis, em seu relatório, que consta no livro citado, dá uma dimensão da tragédia:
“Quando de fadiga não puderam os coveiros abrir sepulturas, mandei gratificar a outros individuos para que as fizessem, de modo a evitar a decomposição dos cadaveres”, diz ele num trecho. “No dia em que não houve caixões para serem transportados os cadaveres, mandei-os fabricar e, quando faltaram animaes para conduzir os carros funebres, mandei-os alugar pelo preço pedido, para que não ficasssem insepultos os infelizes fallecidos.”
Nos arquivos do Cemitério do bairro Água Verde – anos de 1917 e 1918 – encontramos um grande número de mortos pela gripe espanhola, notadamente de crianças.

O Lar dos Meninos de São Luiz foi construido pela igreja católica para atender as crianças órfãs por conta da epidemia de gripe espanhola.

Na época havia um grande bosque no entorno da praça Afonso Botelho, de frente para a atual rua Brasílio Itiberê. Neste bosque foram sepultados dezenas de corpos porque não havia espaço nos cemitérios da cidade.

Atualmente sofremos com a pandemia do Coronavírus, e hoje como em 1918 algumas farmácias aumentaram os preços de produtos, mais por culpa dos fabricantes que não encontravam insumos na indústria sobrecarregada de pedidos.

A imprensa também mentia para evitar o pânico na população. Os governantes também minimizavam a situação para evitar o pior: desespero e saques.

A gripe espanhola foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões a 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões porque assim como hoje os números oficiais não são confiáveis, tornando-a uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009.

Hoje o número de mortes por Covid-19 no mundo superou a barreira dos 200 mil, segundo o levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins divulgado neste sábado (25).

Cerca de 200.698 mortes foram registradas em todo o mundo até às 14h50 de sábado. O número total de casos confirmados do novo coronavírus é de 2,8 milhões.

Os casos diagnosticados fazem parte de uma estimativa reduzida, uma vez que muitos países só realizaram testes em pacientes hospitalizados. As pessoas que conseguiram se recuperar da doença somam 766 mil em todo o globo.