Alguns veículos de imprensa que até recentemente elogiavam o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça Sergio Moro, nas últimas semanas passaram a ataca-lo, como a revista Veja, jornais Folha e Estadão.

A vida dos homens é muito mais complexa do que julga nossa vã filosofia, escreveu certa vez um imortal romancista, e muitas vezes as coisas não são aquilo que parecem ser.

Sérgio Moro, enquanto juiz federal – em que pese sua gramática – foi um dos baluartes da magistratura brasileira. Por falta de espaço, vou citar apenas um caso em que somente um homem corajoso e honrado teria resistido bravamente, como ele o fez. Refiro-me ao caso Banestado, uma falcatrua maior que o escândalo da Petrobras, pelo qual o povo do Paraná está pagando o roubo de 19 bilhões de reais – parcelado até 2029. Dinheiro que poderia ser gasto em saúde, educação, segurança pública, habitação etc., mas que está pagando uma roubalheira que envolveu figuras de comando na vida política e econômica do nosso Estado.

Em 2003 o então deputado estadual Neivo Beraldin propôs na Assembleia Legislativa do Paraná uma CPI para responder às seguintes perguntas: 1 – Por que o Banestado quebrou; 2 – Por que ele foi saneado? 3 – Por que, depois de saneado, foi vendido?

A CPI foi conduzida com maestria e competência pelo deputado Neivo Beraldin, mas atingiu detentores do poder econômico e político em nosso Estado, e por esse motivo o deputado passou a receber ameaças de morte e perseguição. Neste momento surge a figura do juiz Sérgio Moro. Ele autorizou à CPI quebrar o sigilo do Banco Central, Banestado, mais de 20 ex-diretores do banco,  e outras instituições para rastrear o dinheiro roubado dos paranaenses através do Banestado. E foi além, autorizou escolta policial para o deputado Neivo Beraldin, que dessa forma conseguiu os instrumentos necessários à continuidade e sucesso das investigações.

A CPI levantou documentos comprovando a participação de empresas e pessoas físicas na roubalheira do banco, e foi neste momento que surgiu a figura do doleiro Alberto Youssef, fazendo delação premiada; mas passaram-se décadas e até o momento o povo paranaense não sabe o que aconteceu com os denunciados, se o dinheiro roubado foi ou não devolvido ou recuperado. Instituições que deveriam defender o patrimônio público, investigar e punir o roubo do dinheiro público, não o fizeram, e a sociedade espera uma resposta.

Podemos dizer que a Operação Lava Jato começou na Operação Banestado? É possível que sim. A partir das investigações, documentos e informações levantadas pela CPI presidida pelo deputado Neivo Beraldin na Assembleia Legislativa do Paraná, teve início um processo que parece não terminar nunca: a sucessão de escândalos envolvendo roubo do dinheiro público.

A CPI que investigou a roubalheira no Banestado teve apoio decisivo do então juiz federal Sérgio Moro. E por esse motivo – e muitos outros motivos – ele merece o respeito de todos.

Em recente discurso na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, em Curitiba, o ministro-relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin declarou: “Aqueles que sabem demais às vezes se vão”.

Fernando Marques