O colunista Francisco Scorsin da Gazeta do Povo destaca hoje a exibição do filme Bonifácio o Fundador do Brasil amanhã no Shopping Estação. Trata-se de um dos mais importantes documentários da atualidade, essencial para aqueles que desejam conhecer a verdadeira história do Brasil. Entretanto, os leitores e cinéfilos interessados esbarram na incompetência do Shopping Estação para descobrir o horário da exibição do filme – que não consta no site e ninguém atende no telefone informado.

O diretor do filme falou que existe uma verdadeira guerra contra a cultura brasileira nas empresas que fazem distribuição de filmes. Sabemos que a esmagadora maioria dos distribuidores de filmes prefere investir em filmes de baixa qualidade, chamados “enlatados”, produzidos por Hollywood, em detrimento da cultura nacional.

É lamentável que além do boicote os cineastas brasileiros tenham de enfrentar a incompetência de alguns.

O horário da exibição será às 19:35 e as vendas são exclusivamente online através do site https://www.sympla.com.br/bonifacio-o-fundador-do-brasil—sessao-especial-em-curitibapr__316381

O Fundador do Brasil é um documentário cinematográfico sobre a vida de José Bonifácio de Andrada e Silva, patriarca da independência brasileira.

O filme narra a trajetória do homem que, nascido em Santos, forma-se na Universidade de Coimbra, em Portugal, tornando-se logo após um mineralogista reputado nos círculos científicos da Europa, aluno do filósofo Immanuel Kant e colega de estudos do célebre naturalista alemão Humboldt. Como estrategista militar, tem posto de comando na resistência de Portugal à invasão do exército de Napoleão.

Em 1819, aos 56 anos, Bonifácio volta ao Brasil, onde concebe um projeto civilizacional para o país. Em nome dele, combate a escravidão, décadas antes das campanhas abolicionistas do final do século XIX, defende a catequização dos índios nos moldes dos jesuítas, de modo a integrar os nativos na sociedade brasileira, e se posiciona contra o uso de queimadas na agricultura, antecipando a preocupação ecológica do século XX.

Entusiasta do potencial do Brasil como país livre, Bonifácio junta-se aos grupos que lutam pela independência brasileira, assumindo papel decisivo no movimento. Proclamada a Independência, organiza a ação militar contra os focos de resistência à separação de Portugal.

A carreira de Bonifácio chega ao auge em 1822, quando toma posse como ministro do Reino e dos negócios estrangeiros, tornando-se conselheiro e confidente de Dom Pedro I. No cargo, acaba com privilégios alfandegários e comerciais de que Portugal ainda desfrutava no comércio brasileiro. Tenta consolidar a monarquia constitucional, para ele o único regime capaz de garantir a união nacional no momento turbulento pelo qual passava o país.

A maré começa a mudar quando, durante os debates da Assembleia Constituinte que preparava a primeira Constituição Brasileira, Bonifácio, vítima das intrigas da corte, rompe com o imperador e passa para a oposição. Após a dissolução da Assembleia por D. Pedro, é preso e banido, tendo que se exilar na França. Lá ele passa seis anos, dividido entre o prazer das leituras literárias e científicas e a saudade do Brasil.

Bonifácio volta ao país em 1831, reconciliando com D. Pedro, que, em seu último ato como imperador antes da abdicação forçada, indica Bonifácio como tutor do novo imperador, D. Pedro II, então com cinco anos de idade. Acusado pela regência de conspirador, ele termina destituído da tutoria. Recolhe-se à vida privada e logo morre, amargurado e desgostoso com o tratamento que recebera do país pelo qual tanto lutara.