Por David Arcaide – DCM

De repente o desgoverno resolveu, em meio a uma pandemia descontrolada, trazer a Copa América para o Brasil, cedendo às necessidades da Conmebol e da família Abravanel, que conta com um membro seu, no governo, o Ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Daí, uma galera mal intencionada resolve fazer uma comparação leviana entre isso que está acontecendo hoje, e aquele movimento de 2013, do não vai ter copa, que não se fundamenta.

A Copa do Mundo de 2014 aconteceu no Brasil, em um contexto de estabilidade econômica, muito planejamento e investimento na construção civil, em infraestrutura logística, com o desenvolvimento humano através do Pronatec Copa e em um Brasil, que apesar das manifestações golpistas iniciadas em 2013, ainda chegou naquele ano da copa, a menor taxa de desemprego da história, além do fato que não havia uma pandemia generalizada e nenhum colapso no sistema de saúde.

As bandeiras dos fascistas eram por menos estádios e mais hospitais e escolas, não era?

A Copa passou, o Brasil colheu os frutos com aumento do PIB, porém em 2016, ano das Olimpíadas no Brasil, o golpe foi consumado, a crise política foi instalada no Brasil, Temer assumiu o governo, mudou todo projeto eleito em 2014, tirou o Brasil da rota e tudo isso produziu o bolsonarismo.

Durante o governo golpista Temer, nenhum hospital foi construído. Nenhuma escola foi levantada e o dólar começou a subir. Temer conseguiu passar a reforma trabalhista, que ao contrário do que ele disse que aconteceria, fez aumentar o desemprego e a informalidade, acentuando a uberização do trabalho.

Em 2018, contra todas as projeções, Bolsonaro foi eleito fraudulentamente, presidente. Iniciou sua política de centralização do poder, passou a reforma da previdência, não incentivou a construção civil, não injetou recursos para gerar emprego e renda, nenhum hospital ou escola fora construído. Muito pelo contrário, Bolsonaro acabou com o Mais Médicos, colocou a ciência e tecnologia na lista dos inimigos do governo, assim como tirou dinheiro das pasta da Educação e Saúde.

Então, veio a pandemia.

Com a pandemia, a desigualdade social foi evidenciada. A saúde pública entrou em colapso, com falta de médicos, enfermeiros, técnicos, insumos, antibiótico e ainda contamos com o fenômeno do negacionísmo no governo, da parte dos ministros, secretários e do próprio presidente. Este fenômeno revelou que temos, não só, políticos negacionístas, mas também médicos.

Sem política para conter a pandemia, devido a um projeto de extermínio que o governo inciou desde o começo da pandemia, empurrando cloroquina, incentivando aglomerações e o não uso de máscaras de proteção, hoje contabilizamos 465 mil mortos pelo Covid 19.

O Brasil não vacinou nem 1/4 da população. Da parte que vacinou, a grande maioria só tomou só a primeira dose da vacina, porque não tem a segunda dose para todos. Eu mesmo, por exemplo, no último dia 29, dia das manifestações contra o Bolsonaro genocida, tomei a primeira dose da Pfizer. Para alcançar 100% da imunização com essa vacina, é preciso tomar a segunda dose, vinte dias após a primeira. Por falta de vacina, tomarei num intervalo de três meses.

Além da falta de vacina, temo uma nova cepa no Brasil, ainda sem óbitos contabilizados mas com o risco de um novo aumento de mortes e recordes a serem batidos. Segundo especialistas, já estamos na terceira onda.

Sejamos sensatos. Há qualquer possibilidade de comparação entre esses dois cenários? Há alguma chance de imaginamos o Brasil recebendo uma competição continental, sendo justamente o nosso país, o epicentro latino, dessa pandemia? Alguém acredita que haverá aquecimento da economia, geração de emprego, trazendo uma competição sem qualquer planejamento prévio, neste cenário catastrófico que vivemos?

Não há comparação. Trazer a Copa América agora, não é um projeto que trará benefícios. Apenas espalharemos mais vírus, veremos mais brasileiros morrerem, veremos nossos vizinhos morrendo e isso será uma carnificina.

Logicamente, Bolsonaro não pensa em trazer a Copa, sem abrir o país para o turismo sazonal que esse tipo de evento produz. Haverá aglomerações em bares, cts, hotéis, nos centros das capitais que resolverem aceitar participar desse genocídio travestido de copa, e colheremos os resultados negativos desse crime contra a humanidade. Porque é isso que significa trazer a Copa América para o Brasil, além do fato que serve de cortina de fumaça para esconder os escândalos que todo esse governo é, e que está ficando cada vez mais evidente com a CPI.

Então, neste momento, “não vai ter Copa”, não é um golpe contra o governo, mas sim, o uso da razão e da ciência, pelo bem de todos.