Além das muitas regalias do mandato – carro, combustível, funcionário, passagens, emendas parlamentares – um deputado também pode viajar pelo mundo a custa do erário. São as viagens em missão oficial. Em 2019, a grande maioria dessas missões, 77%, foi para o exterior.

Levantamento feito pelo Radar exibe números grandiosos: 220 deputados (que representam 43% do total da Câmara) estiveram em 92 cidades dos quatro cantos do planeta. Em 365 missões, uma por dia. Entre gastos com passagens e diárias, essa conta ficou em R$ 5,2 milhões.

Tem deputado que participou de oito viagens, que ficou mais de 40 dias no exterior e, sozinho, consumiu mais de R$ 100 mil.

A pergunta é: qual o ganho para o país dessas viagens?

A Câmara exige muito pouco de retorno. Apenas um “relatório circunstanciado” da viagem. Na maior parte das vezes, são relatos genéricos, burocráticos e sucintos. Muitas e muitas vezes apenas a agenda dos compromissos.

São encontros, seminários, visitas aos parlamentos estrangeiros, empresas privadas e palácios que poderiam render mais. Mas tem também viagens para verdadeiros redutos turísticos, como Fátima (Portugal), Las Vegas (terra dos cassinos) e, claro, Nova York, o destino mais procurado.

O deputado viaja também a convite do governo e participa de comitivas oficiais, caso dos ruralistas que passaram quase um mês com o comando do Ministério da Agricultura em cidades como Tóquio, Xangai, Pequim, Abu Dabi e Dubai, entre outras.

Ou acompanhar o grupo encabeçado por Rodrigo Maia para a beatificação de Irmã Dulce.

Há quem viaje também a convite de empresas privadas. Se não tiver incluída viagem na primeira classe, os parlamentares recorrem às suas cotas da Câmara, também dinheiro público, para complementar. É chamado de “upgrade” para classe executiva.

 

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